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Economia & Desigualdade

O Brasil que cresceu para poucos: concentração de renda e o paradoxo do desenvolvimento

Por Gustavo Pinheiro  |  1 ago. 2026

O Brasil cresceu. Entre 2003 e 2014, o PIB per capita dobrou em termos reais. Milhões de pessoas saíram da pobreza. A classe média expandiu. Os indicadores sociais melhoraram. E ainda assim, o Brasil continua sendo um dos países mais desiguais do mundo.

O coeficiente de Gini brasileiro — medida de desigualdade de renda — caiu de 0,58 em 2003 para 0,52 em 2014. Depois voltou a subir, chegando a 0,54 em 2026. Para comparação: a Dinamarca tem Gini de 0,28. A Argentina, de 0,42.

Por que a desigualdade persiste

A resposta está na estrutura do sistema tributário e na concentração da propriedade. O Brasil tributa mais o consumo do que a renda e o patrimônio. Quem ganha R$ 2.000 por mês paga, proporcionalmente, mais impostos do que quem ganha R$ 200.000.

A propriedade de terras, imóveis e ativos financeiros é extremamente concentrada. O 1% mais rico detém 48% da riqueza total do país. Esse patrimônio gera renda — dividendos, aluguéis, juros — que é tributada de forma mais favorável do que o salário.

Gustavo Pinheiro
Colaborador de Revista Econômica Brasileira