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A geração que não vai se aposentar: como o Brasil falhou com seus jovens trabalhadores

Por Mariana Loureiro  |  3 ago. 2026

Pedro tem 28 anos, trabalha como analista de dados em São Paulo e contribui para o INSS desde os 22. Quando perguntado sobre aposentadoria, ele ri. "Não conto com isso. Estou investindo por conta própria porque sei que o sistema não vai me pagar."

Pedro não é pessimista. É matemático. As projeções atuariais do próprio governo mostram que, sem reformas adicionais, o sistema previdenciário brasileiro entrará em colapso financeiro antes de 2050. Pedro tem 28 anos. Vai se aposentar, na melhor das hipóteses, em 2063.

A reforma que não resolveu

A Reforma da Previdência de 2019 foi apresentada como a solução definitiva para o problema. Aumentou a idade mínima de aposentadoria, elevou o tempo de contribuição, reduziu o valor dos benefícios para quem se aposenta mais cedo. Economizou, segundo o governo, R$ 800 bilhões em dez anos.

Mas não foi suficiente. O envelhecimento da população brasileira é mais rápido do que os modelos projetavam. A informalidade do mercado de trabalho — que mantém 40% da força de trabalho fora do sistema contributivo — drena a base de financiamento. E a taxa de natalidade caiu mais rápido do que o esperado.

O que os jovens estão fazendo

A resposta da geração de Pedro é pragmática: construir patrimônio independente do INSS. Previdência privada, fundos de investimento, imóveis, ações. A indústria de previdência complementar cresceu 23% em 2025 — e o crescimento foi puxado pela faixa etária de 25 a 35 anos.

Mas há um problema: nem todos têm renda suficiente para poupar. Para quem ganha um salário mínimo — R$ 1.518 em 2026 — a ideia de guardar 15% da renda para aposentadoria é ficção. Esses trabalhadores dependem integralmente do INSS. E o INSS, matematicamente, não conseguirá pagar o que promete.

Mariana Loureiro
Colaborador de Revista Econômica Brasileira